Fustis Agrestis - De Arte Athletica - Paulus Hector Mair

Jogo do Pau do Norte

Há três escolas:
– A do Norte, chamada gallega por ser oriunda da Galiza […]
Os seus professores foram os mais dextros que então havia em Lisboa —um d’elles era gallego.

— Zacarias d’Aça, «A esgrima nacional»,
artigo publicado em Diário da Manhã em 1883.

O Jogo do Pau é uma arte marcial tradicional oriunda das ribeiras do Minho, propagado para o Norte (o resto da Galiza) e o sul (o norte de Portugal). Há registo de prática do Jogo do Pau nos dois países desde, quando menos, o S.XVIII, em que o povo se defendeu da invassom francesa com as armas que tinham de mão, vara-paus e mocas entre os mesmos, com considerável eficácia.

No S.XIX o Jogo do Pau foi levado para o sul à capital Lusa por sucessivos mestres do norte (galegos entre eles), onde tomou forma de desporto marcial, regulamentando-se e normalizando técnicas e armas. Desde a segunda metade do S.XX vem a viver um ressurgimento com várias modalidades, proteçons específicas, etc.

Exibiçom de Jogo do Pau - Fotógrafo: José Canedo 2014
Exibiçom de Jogo do Pau – Fotógrafo: José Canedo 2014

Uma tradiçom continuada
desde o S.XVI

Jogo do Pau na Gallaecia in Armis

Jogo do Pau na Gallaecia in Armis

Embora a documentaçom escrita para o Jogo do Pau na Galiza e Portugal é escassa além do S.XVIII, fazendo um estudo comparado com outras tradiçons europeias é possível aventurar sem muita opçom de erro que de uma ou outra forma esta técnica de combate é conhecida desde muito antes.

A própria particularidade do vara-pau –económico, legal, acessível por qualquer pessoa– segura que em qualquer época prévia (prévia à migraçom às cidades) foi a arma mais disponível e portanto, com certeza, utilizada. Documentos como a seçom sobre «fustis agrestis» do Arte Athletica de Paulus Hector Mair (uma de cujas iluminuras é possível ver no início de esta página) amossam o vara-pau utilizado no Sacro Império Germano Romano do S.XVI de forma muito similar a como nós o fazemos hoje.

A diferença de muitas artes marciais da tradiçom ocidental, para o Jogo do Pau nom temos que recorrer unicamente a estes tratados antigos: vivem ainda muitos velhos que, no seu dia, resolveram problemas com o vara-pau ou a moca, ou treinaram essas técnicas por prazer e por auto-defesa. Com a inestimável ajuda de Isidro Piñeiro, desde o 2012 vimos realizando um trabalho de recuperaçom do Jogo do Pau na Galiza, investigando as fontes vivas, as conexons históricas e a prática dos vizinhos do sul para recriar um sistema de combate autóctone e moderno.

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